Síndrome de Burnout: desafio na oncologia

Trabalhar com prazer é algo que todos buscamos. Chegar ao ideal de ir todos os dias para o labor e realizar as tarefas sentindo-nos realizados com aquilo que fazemos. Entretanto, há casos em que o trabalho se torna algo exaustivo e estressante, portanto, é importante observar as razões que levam à ocorrência de tal situação. Estas podem ser inúmeras, tais como, relações interpessoais ruins, horas trabalhadas em excesso, poucos momentos de lazer e descanso quando não se está no ambiente de trabalho, o tipo de trabalho exercido, entre tantas outras.

Comumente verifica-se entre os profissionais da área da saúde um esgotamento psicoemocional mais frequente. Isso acontece, principalmente, entre os profissionais da enfermagem, os quais lidam mais diretamente com as pessoas que estão doentes, passando muito mais tempo com elas.

As relações que se desenvolvem entre a equipe e os pacientes levam a um envolvimento emocional que gera circunstâncias causadoras de estresse psicológico quando estes chegam a um estado clínico de piora ou não possibilidade de cura.

Na área da oncologia, percebe-se frequentemente esse tipo de situação. Quando o paciente entra no estágio mais grave da doença e necessita de cuidados maiores, com mais atenção, toda a equipe envolvida sofre junto por sentir-se impotente diante do quadro.

A realização do trabalho de cuidados paliativos é um momento bastante delicado, pois algumas vezes é preciso tomar decisões difíceis ao lado da família do paciente como, por exemplo, se deve sedá-lo ou não para aliviar seu sofrimento e dor.

Diante dessas circunstâncias vividas no ambiente de trabalho, pode vir a ocorrer algo sério que prejudica a saúde de quem cuida. A chamada Síndrome de Burnout.

A palavra Burnout é de origem inglesa e refere-se ao esgotamento psicológico e emocional da pessoa que vive uma situação de estresse constante que foge ao seu controle.

A Síndrome de Burnout, apesar de já ser bastante debatida entre profissionais da área da saúde, principalmente psicólogos e psiquiatras, ainda é pouco percebida como tal dentre as pessoas que a sofrem. Isso acontece devido ao fato de acreditarem que estão apenas cansados ou exauridos fisicamente, não dando importância aos sintomas psíquicos. Algumas indicações de que a pessoa pode estar enquadrada na síndrome são a falta de motivação para o trabalho, que antes era tido como algo prazeroso e realizador, as constantes faltas no trabalho, a realização das tarefas no ambiente de trabalho com falta de vontade ou má vontade, os pedidos frequentes para sair mais cedo, o esquivamento para realização de determinadas tarefas como ir atender ao chamado de um paciente mais grave, sintomas depressivos, irritabilidade constante, entre tantos outros.

A Síndrome de Burnout é algo muito sério e precisa ser tratado no início, pois pode levar ao desenvolvimento de outros transtornos como depressão, ansiedade, e outros sintomas psiquiátricos, além de, em casos mais graves, ocorrer o suicídio.

Para tratar da síndrome, é necessário, primeiramente, um afastamento temporário do ambiente de trabalho, além de dedicar-se às questões individuais que são apresentadas como dificuldades de lidar no trabalho. Isso deverá ser feito com o acompanhamento de um profissional, psicólogo, e em alguns casos, psiquiatra. Em casos mais extremos, a pessoa pode optar por mudar de área, de profissão. Porém, o retorno ao trabalho é algo possível, desde que tenham sido tratados os motivos que possibilitaram esse estado, aprendendo a desenvolver e utilizar mecanismos de enfrentamento das situações geradoras da síndrome.

Caroline Silva Freire

Psico Oncologista